quarta-feira, 9 de março de 2011
Em um passado distante, ecos do futuro
Apesar do nome non-sense, Bubblegum Crisis OVA permanece um dos animes mais memoráveis da minha experiência de fã. Os character designs de Kenichi Sonoda; a riqueza de referências (Neuromancer, Blade Runner, Terminator, todo o credo cyberpunk aparece lá); e especialmente, o ritmo essencialmente musical do roteiro, com sequências que remetem a filmes como Ruas de Fogo, ou mesmo Flashdance – tudo isso se combina em um todo coeso, resultando em uma série incrivelmente apaixonante.
Muito disso ainda é válido para Bubblegum Crisis Tokyo 2040 – mas como muitas séries da época, a série de TV também sofreu com as sequelas deixadas pelo colapso emocional coletivo mais conhecido como Evangelion. O ritmo e (apesar da ausência dos character designs originais) a estética tecno-pop continuam lá, e o maior espaço dado ao desenvolvimento dos personagens certamente é bem-vindo; mas o roteiro inchado de baboseiras psico-paranormais afasta-se desnecessariamente da simplicidade do original, roubando à franquia a chance de um final definitivo e realmente satisfatório.
Mas o mais curioso é perceber como o pop setentista dos OVA's envelheceu melhor que o tecno-folk da série de TV. Não é que a trilha sonora desta última seja ruim, longe disso; mas a exemplo das próprias séries, a trilha sonora daquela tem uma batida clássica, atemporal, enquanto a desta soa como uma rua sem saída – um desenvolvimento sem continuação.
Na disputa pela melhor distopia, o futuro mais antigo leva a melhor.
One Nation Under (hatred for) EVA
Webcomic satirizando Neon Genesis Evangelion:
EVA segue sendo uma série polêmica: alguns a adoram, outros a odeiam mortalmente. Acho que não preciso dizer em qual lado me posiciono...
EVA segue sendo uma série polêmica: alguns a adoram, outros a odeiam mortalmente. Acho que não preciso dizer em qual lado me posiciono...
...And realize you're living in the golden years
Abertura da série OVA original de Record of Lodoss War, um dos clássicos do meu tempo de Otaku militante:
Ainda lembro quando, lendo críticas dessa série lá pelos idos de 1995, eu pensei com tristeza que jamais a assistiria. Mal sabia eu então que, em alguns anos, a revolução subterrânea dos fansubs, a disseminação vertiginosa da Internet – e a vibrante comunidade Otaku nacional cujo nascimento ambos viabilizaram – realizariam meu sonho da noite para o dia. E foi assim que assisti, entre muitos outros animes, não apenas a série Lodoss original, mas também sua continuação.
Mas agora, quando percebo que o anime a um tempo tão importante para mim reduz-se a uma vaga lembrança, e até os mangás originais foram publicados no Brasil e acumulam poeira em prateleiras de números antigos, eu me pergunto... Que diferença fizeram meus sentimentos, as noites em claro, todas as palavras de alegria e divergência trocadas através do vácuo da Internet?
Não é que eu tenha rejeitado meu lado Otaku; apesar de ter passado um período de relativo afastamento, continuo sendo fã. Assisto anime todo dia, compro mangá todo mês, e estou sempre ouvindo J-Pop. Mas hoje essas coisas ocupam o lugar a que (eu penso agora) sempre deveriam ter ficado restritas: um interesse entre muitos. Hoje o mundo anime & mangá é uma parte da minha cultura, e não toda ela. Quando lembro dos meu anos de Otaku militante, de todo o tempo gasto discutindo o lugar de Cavaleiros do Zodíaco no panteão animesco, o valor artístico / comercial do Hentai, as inúmeras adaptações para RPG de mesa que nunca joguei, os fanfics que nunca concluí... Ou mesmo os que concluí, não consigo deixar de pensar em tudo aquilo como uma enorme perda de tempo.
Hoje penso que se não fosse tão obcecado, poderia ter me dedicado também a outras coisas de que gostava, e que teriam mais consequência na minha vida... Como programação, eletrônica, robótica. Ou então ter lido mais histórias de fantasia e ficção, como as obras de Tolkien, Asimov, Frank Herbert. É claro que naquela época, sem Internet, isso teria sido bem mais difícil do que é hoje... Mas é justamente esse o ponto: era apenas a escassez que tornava a mim, eu outros como eu, tão dedicados. Era uma espécia de "masturbação cultural" o que a gente fazia, ruminando interminavelmente o pouco material que nos chegava às mãos, para compensar a falta.
É comum, em círculos de Otakus veteranos, ouvirmos dizer que "os fãs de hoje não dão valor aos animes", "no nosso tempo a gente dava mais valor", ou algo parecido. Eu digo "muito bem". Para nós também os animes não teriam tido o mesmo valor, se não fossem tão escassos no nosso tempo. E os dias de hoje, estes sim é que são bons tempos, em que é possível experimentar as coisas com que antes só podíamos sonhar.
Ainda lembro quando, lendo críticas dessa série lá pelos idos de 1995, eu pensei com tristeza que jamais a assistiria. Mal sabia eu então que, em alguns anos, a revolução subterrânea dos fansubs, a disseminação vertiginosa da Internet – e a vibrante comunidade Otaku nacional cujo nascimento ambos viabilizaram – realizariam meu sonho da noite para o dia. E foi assim que assisti, entre muitos outros animes, não apenas a série Lodoss original, mas também sua continuação.
Mas agora, quando percebo que o anime a um tempo tão importante para mim reduz-se a uma vaga lembrança, e até os mangás originais foram publicados no Brasil e acumulam poeira em prateleiras de números antigos, eu me pergunto... Que diferença fizeram meus sentimentos, as noites em claro, todas as palavras de alegria e divergência trocadas através do vácuo da Internet?
Não é que eu tenha rejeitado meu lado Otaku; apesar de ter passado um período de relativo afastamento, continuo sendo fã. Assisto anime todo dia, compro mangá todo mês, e estou sempre ouvindo J-Pop. Mas hoje essas coisas ocupam o lugar a que (eu penso agora) sempre deveriam ter ficado restritas: um interesse entre muitos. Hoje o mundo anime & mangá é uma parte da minha cultura, e não toda ela. Quando lembro dos meu anos de Otaku militante, de todo o tempo gasto discutindo o lugar de Cavaleiros do Zodíaco no panteão animesco, o valor artístico / comercial do Hentai, as inúmeras adaptações para RPG de mesa que nunca joguei, os fanfics que nunca concluí... Ou mesmo os que concluí, não consigo deixar de pensar em tudo aquilo como uma enorme perda de tempo.
Hoje penso que se não fosse tão obcecado, poderia ter me dedicado também a outras coisas de que gostava, e que teriam mais consequência na minha vida... Como programação, eletrônica, robótica. Ou então ter lido mais histórias de fantasia e ficção, como as obras de Tolkien, Asimov, Frank Herbert. É claro que naquela época, sem Internet, isso teria sido bem mais difícil do que é hoje... Mas é justamente esse o ponto: era apenas a escassez que tornava a mim, eu outros como eu, tão dedicados. Era uma espécia de "masturbação cultural" o que a gente fazia, ruminando interminavelmente o pouco material que nos chegava às mãos, para compensar a falta.
É comum, em círculos de Otakus veteranos, ouvirmos dizer que "os fãs de hoje não dão valor aos animes", "no nosso tempo a gente dava mais valor", ou algo parecido. Eu digo "muito bem". Para nós também os animes não teriam tido o mesmo valor, se não fossem tão escassos no nosso tempo. E os dias de hoje, estes sim é que são bons tempos, em que é possível experimentar as coisas com que antes só podíamos sonhar.
sábado, 29 de maio de 2010
Girls Dead Monster: a melhor banda de garotas mortas que você já ouviu!

Prá ficar de olho.
sábado, 21 de novembro de 2009
A Animação na Minha Vida

Um post recente no Sankaku Complex nos convida a revelar que animes foram mais influentes nas nossas vidas. Eu já fiz meu comentário lá, mas só para deixar registrado vou postar aqui também.
Os animes mais influentes da minha juventude foram Macross (que eu vi pela primeira vez na forma retalhada de primeira geração de Robotech) e El-Hazard (os OVA's originais, não a série de TV ou as continuações). Sei lá por que me enamoro tanto dessas histórias de amor entre um humano e uma não-humana; mas Max & Millia e Makoto & Ifurita são meus casais de anime favoritos, e tiveram uma influência importante na definição das minhas próprias aspirações românticas (no laço que eles compartilham – eu não faço questão nenhuma de uma garota alienígena ou andróide, uma humana atraente já está muito bom, obrigado).
Mas preciso dizer que a animação mais influente da minha vida foi mesmo a série original de Transformers. Embora à medida em que eu amadureci e aprendi mais sobre robótica os cybertronianos tenham se tornando um tanto infantis aos meus olhos, a visão de um planeta completamente artificial, habitado por uma raça de máquinas inteligentes, pratciamente definiu minha carreira profissional – meu interesse inicial por computadores, que levou ao meu atual trabalho como engenheiro de software, derivou diretamente dos sonhos de tornar-me um "cientista robótico" inspirados por aquela série.
Portanto, às fantasias da minha infância que sustentam os sonhos do meu futuro, muito obrigado.
Marcadores:
Animes,
Minha Vida
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
O Efêmero Prazer de Ouvir Yukawa Shione

De uns tempos pra cá criei o hábito de, toda vez que esbarro em uma abertura ou fechamento de anime com uma música legal, dar um pulo no YouTube e descobrir quem toca, depois procurar no Blogspot ou no Wordpress por um álbum pra baixar. E foi assim, encantado com a melodia de Hinageshi no Oka (primeiro tema de encerramento de Speed Grapher) que conheci Yukawa Shione.
O melhor de Yukawa são baladas delicadas como La Silhouete ou Hadaka no Ousama: composições tão suaves, mas que – como se fossem o equivalente intimista de uma trilha Punk Rock – parecem sempre acabar rápido demais. Um momento de distração, e a melodia se foi... Só resta, então, voltar e ouvir de novo.
Mas não recomendo isso em dias de coração pesado.
Às vezes parece que absolutamente tudo pode ser encontrado na Internet, e nada como procurar por uma cantora japonesa obscura pra tirar a prova. Minha primeira busca até que foi bastante frutífera – consegui encontrar o álbum Gyakujou Gari no Kuni, de 2004, além do single Hadake no Oosama (com a versão original, mais animadinha, de Hinageshi no Oka) – mas nada além disso. Até encontrei alguns links para outro álbum, Ajisai no Niwa, mas todos estavam quebrados; parecia que eu havia sido "premiado" com o raro caso de um download que caiu fora da Internet.
E não é que, justo quando eu já havia desistido, e estava só tentando reencontrar os links originais para escrever este post, esbarrei em uma página com todos os títulos acima e mais alguns?
domingo, 23 de agosto de 2009
Animes e BBS, Um Breve Encontro

Em 1996, ano do lançamento da Animax, a cena anime brasileira finalmente experimentava sua alvorada. O sucesso avassalador de Cavaleiros do Zodíaco na TV parecia ter dado o impulso que faltava para o surgimento das primeiras publicações especializadas (primeiro a Japan Fury; depois, a Animax), eventos e um público de escala nacional. Embora ainda houvesse poucas iniciativas concretas, a percepção geral era de que um futuro brilhante se iniciava naquele momento.
Nesse mesmo ano ganhei meu primeiro computador com modem. E descobri então que, no mundo virtual a que ganhara acesso, também uma nova era se iniciava – embora não sem alguma angústia. A ascenção mundial da Internet havia declarado o fim dos BBS's: no Brasil, a cena ainda estava ativa, mas já se encontrava em franca decadência. Os serviços maiores se convertiam em provedores de acesso à Internet (na maioria dos casos apenas adiando o inevitável), enquanto os menores simplesmente encerravam as operações.
Apesar do clima melancólico de fim-de-festa, pude pelo menos sentir o gostinho do que havia sido a era BBS – a experiência única, erradicada pela amplitude do cyberspace atual, de pertencer a um pequeno mundo virtual. Cada BBS era uma pequena Internet, provendo os mesmos serviços que hoje nos são tão familiares – correio eletrônico, fóruns, chat, download de arquivos e até games on-line – mas dotada de uma personalidade própria, moldada pelo seu propósito, administradores e membros.
E foi nesse breve momento de co-existência entre dois mundos – um apenas começando a vislumbrar seu futuro, o outro já olhando com nostalgia para as glórias do passado – que pude participar da efêmera experiência que foi o Anime Japan Fury BBS. Contando com a colaboração dos editores da Animax, o AJF foi, até onde sei, o primeiro e único BBS de anime do Brasil: e toda noite eu estava lá, participando dos fóruns, baixando vídeos (mudos) e músicas (em formato MIDI) da então gigantesca base de downloads. Uma vez até participei de um chat com Sérgio Peixoto, que me congratulou pela participação ativa na comunidade. Numa época em que anime no Brasil se resumia a Animax, Cavaleiros e uma magra página em português na Internet, o AJF era meu oásis de conteúdo em meio a um vasto deserto de indiferença.
Se bem me lembro, o AJF saiu do ar antes do fim daquele mesmo ano. Descobri recentemente que o motivo foi a desistência do encarregado técnico da equipe; mas de todo jeito é difícil imaginar que ele pudesse sobreviver por muito mais tempo, já que pelos R$ 30,00 da mensalidade era perfeitamente possível na época assinar um BBS maior, com acesso à Internet incluído no pacote. Nos meses e anos seguintes o lado "animesco" da Internet se desenvolveu bastante, e nunca fiquei sem videozinhos e MIDI's pra baixar, ou mailing lists onde participar de furiosas e intermináveis discussões; mas jamais esqueci o AJF e seu adorável clima de cidade pequena.
Assinar:
Postagens (Atom)


