
Para um barco a vela, o vento é como Deus.
Sem Ele, nenhum movimento é possível;
tampouco se poderá avançar de velas recolhidas,
ignorando Sua força infinita.
Apenas na Sua presença,
e entregando-se ao Seu impulso,
é possível ir em frente.
E então – como é fácil prosseguir!
Carregado por Suas asas, sem o menor esforço
Longas distâncias são percorridas.
Para nós, Deus é como o vento...
E a Ele lançamos nossas velas.
* * *
Esse pensamento passeia pela minha mente há muito tempo, mas só agora consegui parar e dar-lhe forma.
Muitas religiões ensinam que, quando algo de bom nos acontece, é obra de Deus; mas quando alguma infelicidade nos acomete, é em nós mesmos que devemos buscar a causa. Na adolescência, isso sempre me confundiu e revoltou: "Por que Deus fica com o crédito pelas minhas vitórias, mas sou eu quem leva a culpa pelos meus fracassos?", eu perguntava naquela época.
Foi só depois de começar a praticar Aikido que eu compreendi a verdade. As técnicas do Aikido, ao invés de confrontar uma agressão com outra, transformam a própria força do atacante em impulso para dominá-lo. Ao praticá-las, pouco a pouco eu percebi que o segredo da vitória – não apenas no dojo, mas na vida como um todo – está nem tanto em fazer força, mas principalmente em alinhar-se com a Força presente em todo o Universo; meio controlando, meio deixando-se levar pelo seu fluxo.
Ao perceber isso, compreendi que Deus provê a Força por trás das minhas realizações, portanto é Seu o crédito por elas; mas a decisão de alinhar-se a essa Força é minha e de mais ninguém, portanto ninguém mais será responsável pelas consequências, se eu escolher ignorá-la. Como um barco a vela, que pelo ínfimo esforço de abrir as velas empresta do vento seu poder infinito... Eu também posso emprestar de Deus sua Força inesgotável, se ao menos fizer o esforço, o pequeno esforço, de aceitá-la.

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